MUNDO INVISÍVEL

O MUNDO E OS SERES INVISÍVEIS:

 

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A Europa Medieval – Século XV, viveu pandemia com 20 milhões de mortos, originada na China e que ficou conhecida como peste negra. Em 1646, d.C., a cidade de Raffa foi sitiada pelos Tártaros, durando cerca de seis anos. Os soldados invasores, por questões de falta de alimentos e higiene, começaram a morrer, com enormes baixas. A cidade continuava protegida por seus altos muros. Os comandantes, imaginando que eram  espíritos do mal que matavam os soldados, começaram a jogar os cadáveres, por catapultas, para dentro dos limites de Raffa. Logo os rafianos começaram a morrer e os que lograram fugir foram para a Itália, em frágeis navios, levando a morte para aquela região. Não sabiam eles que a causa das mortes era a bactéria Yersinia pestis. Logo, no início dos séculos V e até o século XV, milhões de mortos tomaram conta do mundo europeu. Vieram a fome, que matou cerca de 5% a 25% da população mais pobre, sem higiene, vivendo em casas escuras, sujas e cheia de ratos, os grandes propagadores da bactéria;  a guerra dos 100 anos; a peste negra e a morte. Entre os anos de 1347 a 1352, morreram por volta de 23 milhões de pessoas. A bactéria Yersinia  evoluiu para Yersinia tuberculosis, causando inchaços, dores fortíssimas, ínguas que estouravam nas axilas,virilhas e outros pontos, irradiando de forma impressionante a peste septicêmica. As mãos, braços e pernas ficavam pretos (necrosavam) e daí surgiu o nome peste negra. Bubônica porque os bulbos de pus tomavam conta do corpo.

A bactéria habita os corpos dos roedores silvestres e estes, diante das grandes inundações do século XIV, passaram a habitar as cidades, palácios e o próprio homem por meio de pulgas e piolhos. Em 1346 a peste já alcançava as regiões do Mediterrâneo e em 5 anos alcançava a Itália, França, Alemanha, Inglaterra e Rússia, isto em razão do comércio intenso e grandes navegações. Entre 1665 e 1666 um quarto da população inglesa, cerca de 100 mil pessoas,  morreram em decorrência da peste. Corpos ficavam nas ruas e a situação gerou medo e mortes por todos os lados.

A França começou a impedir que navios vindos de todo o mundo ancorasse em seus portos, exigindo 40 dias para poder receber os produtos e pessoas. Daí surgiu a quarentena. Cidades inglesas erguiam muros de pedra para impedir a saída e entrada de pessoas. Usavam vinagre para as desinfecções. Autoridades exigiam que se lavasse as mãos com sabão forte e banhos frequentes.  A queima de roupas velhas e lavagem constantes das novas foram adotadas. Parece que estamos revivendo tais momentos com a pandemia do Covid-19.

No Brasil, em 1899,navios aportaram no Rio de Janeiro trazendo a peste com centenas de portuários mortos, e em 1904 é instituída a vacina, exigida e higiene pessoal, roupas limpas, gerando movimento contrário chamado de “Revolta da Vacina”.  O sistema de higienização foi positivo e foram criados locais próprios para tratamento dos doentes, nascendo os hospitais e um sistema de assepsia moderno e gerador de resultados positivos e pesquisas que puderam entender o que acontecia e as razões da peste.  O último caso de peste negra no Brasil foi registrado em 2005, controlado imediatamente com o uso de antibióticos.

A natureza é composta de seres micro e macros, e o homem só conheceu o mundo-micro depois da descoberta dos microscópicos e medicamentos capazes de controlar ou extinguir grande parte do mundo microscópico que nos rodeia, mas existe e pode não só ameaçar a vida no planeta como inquietar sempre  o ser humano, presa fácil destes seres  imensamente pequenos, mas poderosos.

Prof. Dr. Antonio Caprio

Biólogo – Tanabi – sp

 

MORTE 2

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