O MITO DA CAVERNA – PLATÃO

O MITO DA CAVERNA – PLATÃO 

MITO DA CAVERNA

Platão  de Atenas  cujo nome era Aristocles, viveu entre 427 e 347 a.C. Nascido em berço de linhagem ilustre teve educação esmerada para a época. Era filósofo e tudo indica que até os 42 anos era seguidor do pensamento pre-socrático, sendo discípulo de Heráclito, Crátilo e Euclides de Magara, entre outros, e contemporâneo de Sócrates. Em 385 a.C criou sua própria escola no horto de Academus (daí academia). A história nos diz que ele morreu com 80 ou 81 anos, provavelmente no ano 347 a.C. Uma das suas mais destacadas obras é O Mito da Caverna, que está inserido no Livro VII da obra A República, onde dialoga com Glauco, um seguidor imaginário, um interlocutor. Neste documento Platão busca descrever uma caverna onde a luz penetra em parte, produzindo num paredão sombras do mundo exterior, que tem numa fogueira sua fonte de ‘projeção’ e que são vistas pelos habitantes da caverna desde o nascimento, nunca tendo visto o mundo exterior. Sombras, gestos, sons passam pelos prisioneiros, em formas distorcidas, e que se constituem no conhecimento que os mesmos tinham do mundo exterior.

Num repente, um dos prisioneiros se liberta e percebe que dentro da caverna se vê um mundo, mas fora dela tudo é totalmente diferente. Percebe que precisa ajudar os que ainda estão na caverna  e entender o mundo real que existe  lá fora, mas, ao tentar fazê-lo é tratado como um louco e paga alto preço por esta incursão pelo conhecimento, que levou muitos à fogueira e ao escárnio público, num mundo em que filosofar é demonstrar fraqueza mental onde o cenário geral é a ignorância numa sociedade  onde todos são prisioneiros comuns e tomados pela limitação do pensamento e submetidos ao domínio de alguns, inclusive com  uso da religiosidade e da política  para imperar no mundo das sombras da caverna inicial. “É evidente que os prazeres dos sentidos mantêm os seres humanos presos ao ilusório”. (Platão- O Mito da Caverna,p.20)

A caverna representa o ‘habitat’ do homem bruto, natural, ‘genesiano’, submetido aos órgãos dos sentidos, presos às crenças e costumes, quase sempre errôneos e enganosos, que atravessam os séculos da humanidade como verdades. Dentro da caverna, o homem mal consegue ver as sombras da realidade gerando distorções de vários níveis, onde se alicerçam as opiniões e conhecimentos preconceituosos que são julgadas como verdadeiras na linha do tempo. Aquele que sai da caverna representa o que busca a verdade, o conhecimento, as causas e os efeitos no bojo do verdadeiro saber, muitas vezes punido pela coragem em sair da clausura da caverna natural e anunciar as boas novas.

O conhecimento, representado pela luz exterior, alcança o ousado homem das cavernas e o coloca numa posição de desconforto causado pelo conhecimento verdadeiro, a razão e a filosofia alcançadas. Hoje a luz externa parece ofuscar os olhos e os ouvidos do homem, apesar da enorme gama de faixas do conhecimento disponíveis. A facilidade da obtenção do conhecimento e de novas tecnologias gera o homem que insiste em voltar para a caverna tornando as redes sociais em verdadeiras vitrinas do ego com enorme superficialidade do conhecimento em contraste com enormes fachos de luz inúteis do saber real e concreto. Estamos, apesar de tudo, à mercê da caverna da ignorância.

 

SOCRATES

 

 

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