IMPÉRIO VERSUS REPÚBLICA

 

IMPÉRIO VERSUS REPÚBLICA 

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O Império e a República eram os assuntos do dia nos séculos XVIII e XIX, em alguns lugares de forma velada e noutros de forma pública, em especial nas altas rodas do poder político no Brasil e em Portugal. O Império Brasileiro representava,  na segunda metade do século XVIII, em especial por causa do escravagismo, a origem e a manutenção de várias mazelas e atrasos enquanto a República era vista como um sistema moderno e inevitável para o Brasil, com fortes correntes no fim do século XIX.

Em 18 de abril de 1.873, nasce em Itu, o Partido Republicano Paulista – PRP , extinto em 3 de dezembro de 1937 pelo decreto-lei º 37, de 2 de dezembro de 1937, no início do Estado Novo e, em 2019, refundado em 24.05.1989 pelo Dr. Dirceu  Gonçalves Rezende e com sede nacional em S.J.R.Preto, agora como Partido Republicano Progressista, funde-se  com o partido  Patriota por questões vinculadas à cláusula de barreira da política brasileira, com a mesma ideologia e afinado com os mesmos objetivos.  O PRP predominou no Estado de São Paulo durante todo o período da República velha e era o canteiro de obras para os republicanos em busca da República. Agregou políticos de todo o estado e de outros pontos do país. Em cada cidade o PRP ditava as regras através de seus coronéis e indiretamente, sustentava o Império. Em 1885 e até 1888 elegeu deputados como Campos Salles e Prudente de Morais  para a Assembleia Geral do Império, hoje Câmara dos Deputados. O PRP tinha jornais em vários locais do Estado de São Paulo, muitos deles empastelados pelo poder monarquista e depois pela República, em especial no período de Vargas. Sua ideologia abrangia o Republicanismo, o liberalismo, o federalismo e o agrarianismo, com orientação política  de centro-esquerda.

A cúpula do PRP pertencia à maçonaria e seu objetivo era implantar no Brasil uma fundação republicana. O Jornal “ a Província de São Paulo”, fundado em 1875, atualmente Folha de São Paulo, tinha entre seus membros redatores Campos Salles. Sempre na oposição, tanto ao Império como a Vargas, teve importante participação no mundo político brasileiro, em especial no estado de São Paulo, sendo ele uma das sementes mais fortes da República, proclamada em 1889. O PRP atuou de forma firme e decisiva no afastamento dos militares da política no início da República.

Campos Salles assumindo o governo do Estado – 1897 e 1898, deu plenos poderes aos coronéis do interior de São Paulo, que o mantinham no cargo  numa simbiose quase perfeita. Uma destas práticas de domínio era feita através da Captura, uma espécie de polícia política.  Deste modelo  político foi eleito Washington Luís como Presidente da República. O Império tinha seus líderes locais e a República replicou este sistema para poder manter o país unido e vinculado e um poder central, agora chamado de Presidente da República. Praticamente o Brasil continuou, na República, praticando o mesmo sistema político praticado no Império.

O Brasil, com o advento da República, teve seu quadro de líderes totalmente modificado. A República-da-Espada, com os governos de Deodoro da Fonseca e Floriano Peixoto gerou centenas de presos e mortos causando enorme impacto. A segunda parte republicana já foi assumida por civis e nos estados, as lideranças se tornaram  rebeldes a um governo central e vários movimentos armados pipocaram por todo o território republicano. Em São Paulo surgem os políticos Adhemar Pereira de Barros e Fernando Costa, ligados ao PRP , estrelas políticas que movimentaram de forma positiva o Estado, com estreita participação na Revolução Constitucionalista de 1932.

Nosso Império adoeceu. Nossa República está doente desde 1889,  vítima de uma democracia cambaleante e deformada. Será que o país está no rumo certo?

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