A REPÚBLICA BRASILEIRA

A TURBULÊNCIA DA REPÚBLICA BRASILEIRA:

 

 

DEODORO DA FONSECA
DEODORO DA FONSECA
FLORIANO PEIXOTO
FLORIANO    PEIXOTO

É importante saber  que a República Brasileira nunca andou bem das pernas. Depois do II Império, a  política não deu passos firmas, pelo contrário. Neste trabalho analiso  as razões de tal afirmação. Em algumas administrações os conflitos políticos existiram, mas foram administrados com relativa ordem, chegando-se ao final dos mandados, mas não em plena  paz. Analiso os momentos mais convulsivos 

Entre 15 de novembro de 1889 e 26 de fevereiro de 1891, o Marechal Deodoro da Fonseca exerceu o cargo de presidente da República na qualidade de Chefe do Governo Provisório. Até então não existia o vice-presidente Em 25 de fevereiro de 1891 foram eleitos pelo Congresso constituinte o primeiro presidente e vice-presidente do Brasil que foram empossados no dia seguinte.  Em 3 de novembro de 1891, Deodoro da Fonseca, sentindo-se ameaçado, destituiu o Poder Legislativo. Vinte dias depois é obrigado a renunciar por força de uma revolta  armada sendo substituído pelo vice-presidente Floriano Peixoto, um dos líderes de tal movimento. Seguiram-se os mandatos de Prudente Moraes e Campos Sales.

Afonso Pena foi eleito presidente e seu vice era Salviano Brandão que morreu dias antes de tomar posse. Foi feita nova eleição para suprir a vaga. Afonso  Pena morreu em 14 de julho de 1909 e seu mandato foi concluído por Nilo Peçanha. Hermes da Fonseca foi eleito por um ‘ acordão político’ e governo com enormes dificuldades. As forças políticas elegeram Rodrigues Alves para presidente e Delfim Moreira para vice. Rodrigues Alves, muito doente, morreu em 16 de janeiro de 1919 . Delfim Moreira assumiu o cargo em meio a várias contestações e crises no governo. Assume Epitácio Pessoa para substituir o presidente falecido. Delfim Moreira morre em 1 de julho de 1920, assumindo como vice Bueno de Paiva em 10 de novembro do mesmo ano.

Elege-se Arthur Bernardes para presidente tendo como vice Urbano Santos que morre antes de assumir, fazendo-se nova eleição para vice em meio a movimentos contestatórios e grande instabilidade política. Em seguida assume Washington Luiz  que foi deposto a 22 dias  do término de seu mandato pelas tropas de Getúlio Vargas Em 1 de março de 1930.  Júlio Prestes, recém eleito, é impedido de assumir pelas forças de Vargas, rompendo o ciclo do “ café com leite, na alternativa de presidentes de Minas Gerais e São Paulo.

Assume o governo Junta Governativa por dez dias formada por Augusto Tasso Fragoso, Isaías de Noronha e João Mena Barreto, passando o governo  a Getúlio Vargas no dia 3 de novembro de 1930. No  período de 1889 até 1930, o país viveu, politicamente, em meio a sobressaltos de vários graus , não só dentro dos gabinetes como em lutas armadas que pipocavam por todo o país. Getúlio Vargas exerceu ‘de facto’ a presidência de 3 de novembro de 1930 a 20 de julho de 1934 na qualidade de chefe  do governo provisório, sendo reeleito pela Assembleia Nacional Constituinte Presidente da República, e em 10 de novembro de 1937, por golpe de estado, instituiu o Estado Novo. José Linhares exerceu a presidência por convocação as Forças Armadas como Presidente do Supremo Tribunal Federal. Eurico Gaspar Dutra foi eleito sob a Constituição Federal de 1937. Não havia vice e o mandato era de 6 anos. A Constituição de 1946 reduziu  o mandato para 5 anos e criou o cargo de vice, sendo eleito o senhor. Nereu Ramos após a Era Varga, assumindo em 19 de setembro de 1946. Com a morte de Getúlio assumiu o vice Café Filho que foi afastado por razões de saúde e deposto depois, assumindo Carlos Luz, Presidente da Câmara Federal que também foi deposto e substituído pelo vice-presidente do Senado Nereu Ramos.

Com a deposição de Carlos Luz assumiu o senhor Nereu Ramos até a posse de  Juscelino Kubitschek  de Oliveira, substituído pelo senhor Jânio da Silva Quadros que renunciou em 25 de agosto de 1961, gerando uma das mais graves crises política, institucional e social em nosso país atribuindo seu ato às “ forças ocultas”, até hoje não explicadas embora compreendidas.  Por uma ação orquestrada por forças internas e externas, o vice-presidente João Goulart foi impedido de assumir  plenamente seu cargo com a instituição forçada de um regime parlamentarista, depois derrubado por plebiscito. Em 2 de março de 1964, foi declarado vago o cargo de Presidente da República e se instituiu no Brasil um regime militar, sob as bênçãos dos Estados Unidos, que durou 21 anos, exaurindo-se por si só pelo desgaste entre seus próprios membros.

Seguiram-se 5 mandatos regidos por militares, com uma onda de desaparecimentos de pessoas, banimentos, mortes, torturas e arbítrios com censura em vários campos da cultura, artística e cultural. A República, porém, não se aquietou, pelo contrário, e nova fase de intensas lutas ideológicas, partidárias, políticas eclodiram por todo o país com a criação de centrais sindicais e outros grupos radicais.  O primeiro presidente Militar foi o General Humberto de Alencar Castelo Branco. que prometeu a devolução do poder civil ao povo o mais breve possível, o que não aconteceu. O desgaste entre os líderes militares foi evidente e acabou rachando o núcleo do poder gerando várias crises institucionais internas. Em 31 de agosto de 1969, por problemas de saúde, foi afastado o então presidente Arthur da Costa e Silva. As Forças Armadas impediram o vice Pedro Aleixo de assumir o cargo, constituindo uma junta governativa, sem nenhuma previsão constitucional,  composta do Ministro do Exército, Augusto Rademaker, Presidente da Junta , Aurélio de Lyra Tavares e Márcio de Souza Melo. Mostrando  claramente  que a situação era bastante crítica.  Em 6 de outubro de 1969, declararam extinto o mandato do Presidente   Costa e Silva, por sua morte, até hoje não bem explicada, da mesma forma como foi a morte de Castelo Branco em desastre aéreo.

O povo já cansado de muitas situações não explicadas acabou por exigir as eleições diretas para presidente e governador. Depois de muitos movimentos populares, tornando insuportável a permanência dos militares no poder, acabou sendo eleito o senhor Tancredo Neves como presidente que acabou não tomando posse em 15 de março de 1985, morrendo pouco tempo depois em circunstâncias também não explicadas. Assumiu interinamente o senhor José Sarney, que acabou assumindo de forma definitiva com a morte de Tancredo em 21 de abril de 1985. Intensa crise se seguiu com a questão de hiperinflação, passando dos 80% do mês e levando séria crise para todos os pontos do território nacional.

A ansiedade tomava conta do povo e dos meios políticos, e acaba sendo eleito o senhor Fernando Collor de Melo como o grande “caçador dos Marajás” prometendo ampla reforma política e financeira no país. Com a crise aumentada pela apropriação indevida de fundos particulares e poupança em bancos e estabelecimentos de crédito fazendo eclodir em todo território nacional intensos movimentos e protestos, Collor é afastado pela Câmara dos Deputados em 2 de outubro de 1992, acabando por renunciar ao mandato em 29 de dezembro do mesmo ano.

A crise continua e assume, interinamente, o vice Itamar Franco após o afastamento de Collor e definitivamente em 29 de dezembro adotando medidas econômicas que acabaram por acalmar a intensa crise,  melhorando o ânimo dos brasileiros e da política. Seguem-se os mandados de Fernando Henrique e Lula instituindo-se processos de reeleição, provocando o nascimento de centrais sindicais, grupos de reivindicação de terras, de sem tetos e grupos radicais até extremistas aumentando, e muito, a pressão na “panela”  já quente da política brasileira com a criação de mais de 3 dezenas de partidos políticos.

Nova crise se evidencia com o afastamento temporário, pelo Senado Federal, em 12 de maio de 2016, e depois definitivamente em 31 de agosto de 2016, pelo processo de impeachment’ da então presidente Dilma Rousseff. Assume o Vice Michel Temer interinamente em 12 de maio de 2016 e depois de forma definitiva em 31 de agosto de 2016.

E como a História não para, agora partimos para mais um capítulo desta emocionante e  continuada turbulência da política republicana.

Agora, é pagar para ver…..

 

BRASÃO DA REPÚBLICA DO BRASIL
BRASÃO DA REPÚBLICA BRASILEIRA

 

 

 

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