O DNA E A VIDA.

O DNA – A ENGENHARIA DA VIDA

 

Illustration of rainbow DNA (deoxyribonucleic acid) with defocus on background

É sabido que o DNA (ácido desoxirribonucleico) existe no mundo dos “segredos” da vida e que está ‘escondidinho’ no núcleo das células dos eucariotos (células com núcleo individualizado protegido por uma membrana) e nas mitocôndrias (sede da energia celular) e organizado em cromossomos( estruturas compostas de DNA e que carregam os genes). Interessante que tudo isso é formado de açúcar (uma pentose – cinco moléculas), uma base nitrogenada e um radical fosfato, meras substâncias químicas. Se deixadas sobre uma superfície lisa e seca, o vento levará como que um simples pó.  Numa sequência organizada como numa espiral, a vida e sua continuidade nos seres vivos se mostra luxuriante e como uma das mais belas obras da engenharia molecular. Nesta espiral está armazenado nosso ‘código genético’, herança de nossos ancestrais e extraordinária continuidade da vida futura.

As células foram descobertas recentemente. O corpo humano tem cerca de 40 bilhões  delas. Diz o poeta que há mais células no corpo humano do que estrelas no céu. E dentro delas, em proporções infinitesimais, a vida está guardada aguardando para ser definida. Não há segredos na natureza. Há desconhecimento de suas estruturas.

Em 1844 nasceu o suíço Johann Friedrich Miescher. Ali nascia o cérebro que iria abrir a caixa onde o segredo da vida se aloja. O químico Felix Hoope-Seyler lhe forneceu a chave.  Ernest Haeckl forneceu a caixa três anos antes. Em 1889 as primeiras luzes sobre a vida começaram a refulgir da nucleina e dela nasceu o ácido nucleico. Filhas diletas da química, nascem as bases nitrogenadas: adenina, guanina, citosina e a timina, pedras fundamentais da química da vida. Chega 1890 e  surgem o DNA(ácido desoxirribonucleico) e o RNA( ácido nucleico). A evidência da vida ali estava, mas os cientistas não conseguiram enxergar, ainda, o que estava por vir. Corre a linha do tempo e chega 1947, e Maurice Wilkins consegue imagens em raios X do DNA, parecida com uma imagens de TV dos anos 50, cheia de chuviscos. A imagem era vista cruzada lembrando uma cruz, talvez uma hélice.

No ano de 1953, James D.Watson, biólogo americano e Francis Krick, físico inglês,  propõem um modelo em hélice para o DNA. Isto lhes rende o premio Nobel de Fisiologia e Medicina. A vida, então, já tinha rosto definido. Chargaff, o gramático da vida, em 1950, associa as quatro bases A,G,T,C à hélice e a vida ganha cores. As descobertas foram publicadas na revista Nature, em 1953.

Não havia segredo. Havia desconhecimento.

Não há segredo. Há desconhecimento.

O modelo tridimensional lembra uma escada retorcida, uma dupla-hélice. Cada filamento (degrau) está ligado ao seguinte e anterior por meio de ligações de hidrogênio. Os corrimãos são formados por fosfatos e pelas pentoses (cinco átomos de carbono). Os degraus são bases nitrogenadas. A vida, portanto, está sedimentada em substâncias químicas constantes da base estrutural do planeta Terra e do Universo. A vida, no entanto, não tem química. Sabemos como a vida se manifesta. Ela ‘usa’ a química para se manifestar, e por ora, desconhecemos o tipo de matéria que a compõe. E compõe.

Persiste, porém, e por enquanto,  a grande incógnita: o que é a vida?

DNA - imagem

 

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