SÃO JOSÉ DO RIO PRETO – 19 de março de 2018 – 166 anos

    UMA BELA HISTÓRIA

ALBUM - JOÃO-2
JOÃO BERNARDINO SEIXAS RIBEIRO

 O  destino assim quis, dizem os poetas e os que acreditam numa roda movimentada por uma força com milhares de nomes e que se aproveita de atos humanos e da própria natureza para moldar o presente, calcado em atos passados e com olhos no futuro.

Teriam agido por impulso Cabral, Anchieta, Luiz  Antonio da Silveira e João Bernardino Seixas Ribeiro no quadro geral que nos interessa nesta comemoração de 166 anos de fundação de São José do Rio Preto? Lendas não nos faltam e, o acaso teria trazido Cabral para as costas do Brasil, Anchieta para o planalto paulista e Luiz Antonio e Seixas Ribeiro para o grande território cercado pelos rios Preto, Turvo, Grande, Paraná e Tietê? São José de Botas teria sido, por acaso, o padroeiro do local?

O Sol testemunhou o dia 19 de março de 1852 quando nasceu a ideia de se criar uma nova comunidade vinculada a Jaboticabal que por sua vez havia nascido de Araraquara. Do território jaboticabalense, numa gestação natural, nasceu o rebento São José do Rio Preto e que já dava seus primeiros passos, sozinho, no dia 19 de julho de 1894. A esta altura inúmeros já eram os padrinhos do município destinado a ser a cidade das oportunidades. O padrinho-maior foi o então Presidente do Estado de São Paulo, Dr. Bernardino de Campos.

De novo o Sol viu serem eleitos seus seis primeiros vereadores no dia 29 de outubro de 1894 no interior da Igreja Matriz, sendo eles Francisco Antonio Braga, Luiz Francisco da Silva, Luiz Pinto de Moraes, Pedro do Amaral Campos, Porfírio Pimentel e Valêncio José Barbosa. Foram escolhidos para a grande missão de efetivar legalmente o que a lei número 294 assinada pelo governador do Estado de São Paulo, Bernardino de Campos, determinou sob a grande liderança de Pedro Amaral. De novo o tirocínio natural do povo e dos envolvidos no processo de concretização das vontades dos primeiros habitantes se realiza elegendo o senhor Luiz Francisco da Silva como ‘intendente’, da cidade (1896-1897). Como presidente da Câmara de vereadores foi eleito, com forte apoio popular Pedro do Amaral Campos, que foi vereador. Presidente da Câmara e intendente. De imediato, Francisco Antonio Braga que foi também vice-intendente, Porfirio Luiz Pimentel, vereador e vice-presidente da Câmara  e Valêncio José Barbosa, vereador e vice-presidente da Câmara,  organizaram o primeiro orçamento que foi definido pela Lei Municipal número 2, sendo a de número 1 o código de Posturas. O orçamento foi de onze contos e duzentos e trinta mil réis.

 No início dos processos de instalação e montagem dos poderes municipais, a Câmara era o centro do poder e o intendente era um dos vereadores, e a este cabia cumprir ou orientar o cumprimento do que a Câmara determinava. Era parte do processo que o intendente fosse vereador. Tempos depois o cargo de intendente se tornou mais forte e passou a ser denominado ‘prefeito’(1907). A posse se deu em meio a grande festa no dia 27 de novembro de 1894. Mais forte e com raízes mais profundas a grande árvore continuava a crescer abrigando e protegendo seus filhos naturais e os adotivos.

As enormes distâncias na época e a inexistência de estradas fez com que comparecessem apenas 134 eleitores no processo de escolha da Câmara. O interesse do ‘eleitor’ também era pequeno já que cidadão apto a votar residia em fazendas, chácaras e poucos no núcleo municipal. O quadro geral de inscritos era de 446 eleitores.  O processo político era, ainda, uma atividade pouco observada pelo brasileiro da época, só caindo no interesse popular com o perpassar dos anos, visto que o país começava a dar os primeiros passos no novo regime republicano, recém-instalado em 1889.

Como num processo com ritmo e continuidade, os rio-pretenses, em especial aqueles vinculados ao processo político, somando-se aos interesses da força comercial da cidade, enriquecida com as presenças de grande número de famílias vindas de vários países do exterior em busca de suas conquistas no ‘novo mundo’, onda de força organizada fez criar mais um ramo na semente plantada em 1852, quando no dia 9 de junho de 1904, sendo o Presidente do Estado de São Paulo o Dr. Jorge Tibiriçá, é assinada lei decretando a maioridade de Rio Preto, a de número 903, fazendo nascer a Comarca de Rio Preto, com a ajuda do Padre José Bento da Costa, o Major Soares e muitos outros. Sozinho ninguém produz nada.

A cidade se apresentou engalanada no dia 5 de outubro de 1904. O  Sol, de novo, agora via o povo alegre com bandeirolas e arcos por todos os lados. A banda musical executava seus dobrados e marchas festivamente. O povo na rua era a demonstração de que os sonhos de Luiz Silveira e Seixas Ribeiro agora estavam plenamente realizados. Novos nomes agora se evidenciavam na Câmara Municipal: Ribeiro Borges, Licínio Barbosa, José Pimenta Benfica, Benedicto Lisboa, Luiz Francisco, Almeida Mesquita, Ezequiel Correa e muitos outros substituíram os anteriores e seguiam com seu trabalho o aprimoramento dos atos primeiros. Lá estava o fundador João Bernardino de Seixas Ribeiro e inúmeros construtores de Rio Preto e de São José do Rio Preto à sombra da imensa árvore plantada e cuidada com o trabalho de muitos nos anos que se seguiram a 1852. Raro um fundador presenciar tantos fatos que ele, apesar de ter sonhado, não imaginaria ver e provar tantos frutos em vida.  Viajou, em lombo de mulas dezenas de vezes para Jaboticabal, em estradas que eram na verdade picadões na mata selvagem, poeirentas e perigosas, em busca da criação da vila, dos distritos, do município e da comarca. Pernoitou muitas vezes na estrada sob as estrelas e a chuva. Nada o demovia e ele escrevia, sem descanso, a história de Rio Preto. Missão?

Era monarquista, mas, cumprimentou, em documento assinado com Pedro do Amaral Campos, abolucionista convicto, carta cumprimentando o novo governo republicano e sempre a favor da legalidade, libertou seus escravos atendendo ao que determinava a Lei áurea. Era um homem da lei por natureza.

O grande fundador, nascido em 24 de fevereiro de  1819 em Livramento de Aiuruoca, Minas Gerais,  cumpriu sua meta e pôde ver seu sonho não apenas pensado, mas, construído fase a fase, com um trabalho hercúleo, falecendo, no dia 26 abril de 1907, aos 88  anos de idade, às quatro horas da manhã na fazenda Boa Vista da Alegria, em São José do Rio Preto, partindo para se tornar no ícone de uma obra que a todos engrandece.

 

Nas fotos, Luiz Francisco da Silva,  o primeiro prefeito ( intendente – 1894-1895)) de Rio Preto, e a vista noturna de São José do Rio Preto – represa municipal.

 

LUIZ FRANCISCO DA SILVA - PRIMEIRO PREFEITO DE RIO PRETO

REPRESA MUNICIPAL 1

 

 

Fundamentos:

1- Gente que ajudou a fazer uma grande cidade – Rio Preto. Leonardo Gomes,1975.

2- Quem faz História em São José do Rio Preto. Lele Arantes, Aretha Yarak e José Luis Rey. THS Editora. 2006.

3- Jornal Diário da Região – sinopses históricas.

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