UMA PEQUENA HISTÓRIA DO TEMPO

O TEMPO – UMA CRIAÇÃO HUMANA 

A LINHA TEMPO-ESPAÇO:

0 TEMPO NO TEMPO

O homem é um ser inteligente, capaz de observar e entender, filosófica e cientificamente, a existência de um fenômeno por ele criado e mantido chamado tempo.O popular afirma que atrás do tempo, tempos vêm ou ainda todo tempo é tempo.

O dicionário (Aurélio,p.666) nos ensina que tempo é a sucessão dos anos,dias,horas,etc., que envolve a noção de presente, passado e futuro;momento ou ocasião apropriada para que uma coisa se realiza; época, estação.  Tempo é o medidor das ações do homem em sua morada, a Terra. O tempo, tal como o definimos e entendemos, refere-se à Terra, a nosso planeta.

 Mas, o que é o tempo?

O homem primitivo não tinha noções do tempo como uma grandeza física, material ou imaterial. O tempo, para os homens das cavernas, não era medido, visto que não era encarado como existente e nem percebido como um fenômeno físico. Neste tempo o homem-filosófico e o homem-matemático não andavam juntos num mesmo cérebro em formação ou evolução. A Física moderna nos indica que todos os momentos parciais se unem e se fundem num só tempo único, formando uma linha de pensamento completo. É o tempo e o espaço fontes de estudos humanos desde que o homem começou a pensar de forma lógica.

Matemática e filosoficamente, o tempo só existe quando o relacionamos a um determinado espaço, com início e fim.  Não havendo o espaço não há, por conseqüência, a possibilidade de se falar em tempo. O duo é inseparável. Não há um sem o outro. Esta existência interdependente é que gerou o princípio da eternidade. Só é possível se falar em eternidade quando se puder, e não se pode desvincular o tempo do espaço ou vice-versa.

            Esta verdade quântica é que buscar explicar o princípio da existência de Deus. Todos os textos religiosos afirmam ser Deus um ser incriado, que não teve início e não terá fim. Nesta afirmação está ausente o espaço (início e fim). Ficando sem o espaço, estaria presente o tempo livre e soberano, gerando a eternidade divina. Filosofia e poesia. Nada de física nem de matemática.

            O homem das cavernas, ao sair para suas temerosas e perigosas caçadas, como teria dito à sua companheira sobre sua volta ou demora na busca do alimento? Teria dito voltarei daqui a quanto tempo?  Não poderia ter se expressado assim, visto que não tinha ele noção de divisão do tempo e nem de suas medidas. O máximo que poderia nosso caçador dizer é que voltaria em três sóis (tantos dias) ou três luas (tantas noites). O Sol e a Lua sempre foram os ‘marcadores’ da existência humana, mesmo nos tempos perdidos na escuridão dos séculos.

            O choque entre o tempo e o espaço atua direta e frontalmente sobre as células animais e vegetais. Leva-as ao envelhecimento, às mutações, às transformações internas, ditas em nível de genótipos, ou externas, em nível de fenótipos. A tão decantada fonte de juventude, sonhada por Ponce de Leon é utópica. Esta fonte só seria possível com a interrupção da força tempo-espaço ou da eliminação do espaço. Impossível seria como tentar manter existente um colar de pérolas sem o fio que as une. As contas existiriam, mas o colar, nunca. Mesmo os seres brutos, as rochas, por exemplo, não escapam à ação do tempo e do espaço.

            Desde o momento que os aminoácidos passaram a compor a grande hélice da vida e dão origem às células, o tempo começa a agir sobre seus componentes e se vincula a um espaço. O fenômeno percorrido entre o momento primeiro e o momento seguinte chama-se tempo e a resultante desta ação é o espaço, o infinito, que num ou em outro momento se torna finito para logo em seguida deixar de existir, quando o tempo ‘passar’. O tempo só ‘passa’ se numa esteira rigorosa representada por um espaço.

            E volta a pergunta inicial: o que é então o tempo?

2 – O ESPAÇO 

            O tempo e o espaço coabitam um mesmo momento. Cientistas se debruçaram sobre este duo e usaram grandes partes de suas vidas para entender a relação e vinculação entre ambos. A vida é submissa a este duo infernal. Não haveria a vida sem um tempo e um espaço. Tentar definir o tempo, isoladamente, é uma utopia científica e até filosófica. Esbarraríamos apenas em expressões meramente gramaticais e pouco ficaria definido.

            Einstein buscou verdades sobre o tempo e o espaço. Percebeu uma estreita e indissolúvel relatividade entre ambos. Caminhou mais em seus estudos e reunião o duo mágico com a matéria. Desta associação, surgiram inúmeras respostas a antigos ‘segredos’.

            Só o homem consegue perceber as três dimensões na linha do tempo: o passado, o presente e o futuro. Nenhum outro animal consegue esta proeza. Apesar de conhecidas estas dimensões elas simplesmente não existem na física matemática e muito menos na quântica. Não há simplesmente o passado. O presente é uma sensação apenas mental e o futuro está tão distante que sobre ele nada se sabe, apenas se pressupõe.

            O passado é conhecido pela memória humana. Pode ser registrado fisicamente por vários mecanismos criados pelo homem, como ma foto, por exemplo. É imutável. É definitivo até que a memória possa trancá-lo nos neurônios que permeiam o sistema nervoso. É concreto e ao mesmo tempo pode desaparecer com um estalar de dedos com a perda da memória.

            O presente é uma sensação fugas que permeia os sentidos humanos e dá a sensação de coisa concreta, palpável, física e matematicamente provadas. Ledo engano. O presente é apenas uma sensação que não existe a não ser na imaginação do homem. Fala-se em ‘agora’ que há poucos segundos era futuro, sendo convertido em presente e num ínfimo espaço de tempo é depositado no passado para dele não mais sair.

             Para se poder perceber o presente é necessário que se recorra à força da palavra, da linguagem escrita. O presente tem de ser classificado como relativo, quando o fato se relaciona ao conjunto total de eventos ou acontecimentos que estão em fase de realização e absoluto quando seria somente o evento principal, o instante isolado dos antecedentes e dos consequentes momentos que perfariam o presente real. É o momento real do acontecimento Einstein tratou da questão relacionada ao presente, ao ‘agora’ em sua Teoria da Relatividade Especial.

            O futuro é a grande incógnita e o mais conhecido dos três elementos imaginários do homem. Busca-se o futuro através do presente e das experiências adquiridas no passado. Deixa-se de viver o presente para se garantir o futuro, garantir a existência e a posse dos bens patrimoniais e em menor proporção dos bens intelectuais. Estatísticas nos mostram que 67% das pessoas deixam de viver intensamente o presente para pensar no futuro. Apenas 12% pensam no passado. Os restantes 21% se perdem entre os três segmentos do tempo criados pela mente humana.   Na linha do tempo,  futuro pode ser lapidado, alcançado, através de projetos bem elaborados. É passível de ser definido previamente. É o mais desejado e festejado de todos os três momentos mágicos da vida humana.

            O homem comum deixa de ‘viver’ o presente para tentar garantir o futuro. Pode não conseguir nem um nem outro. Despoja-se da felicidade do presente que o rodeia insistentemente para se lançar num sonho futuro que poderá não alcançar.

3 – A MATÉRIA 

            A busca pelo conhecimento é tão antiga quanto o próprio homem. O mundo material se vincula ao inesgotável poder das idéias. As idéias movem o mundo em todos os sentidos na mesma proporção que o dinheiro hoje movimenta a economia e o próprio homem. Já imaginou o mundo moderno sem o dinheiro? O que seria do conhecimento humano não fossem as idéias? De que valeria a matéria sem o conhecimento do homem na sua utilização?

            O livro Gênesis narra de forma interessante a criação do Universo. Só depois de tudo criado, e tudo era matéria, é que foi moldado o homem para governar o ‘paraíso’ . Não foi o acaso que levou o escritor sagrado a deixar o homem por último. Este o gerente e este o utilizador de toda a matéria até então criada.

            O homem criou uma intimidade bastante clara entre o pensamento científico e o pensamento filosófico. São eles, realmente, dois conhecimentos distintos, mas interligados de forma inseparável. A cultura é o recipiente cristalino de ambas as manifestações. A habilidade é o instrumento cirúrgico de toda a ação humana.

            O homem constrói o mundo que o cerca e constrói a si mesmo, dia a dia, hora a hora, segundo a segundo. Através de sua ciência ele desce ao mundo microscópico com seus instrumentos maravilhosos desvendando o infinitamente pequeno e chegando ao átomo. Com seus telescópios enxerga os confins do Universo e com suas naves maravilhosas já singra o éter cósmico. O homem aprendeu a entender a matéria e a manipula habilmente.

        Neste seu caminho por milhares de anos o ser humano aprendeu a produzir e transformar materiais, expandiu sua força no mercantilismo, nos domínios da mecânica, da física, da química, do eletromagnetismo,  e fez acontecer revoluções industriais e no campo social e político fez acontecer guerras fantásticas fazendo aflorar seu espírito belicoso, intranquilo, sem paz e na busca incessante do poder sobre tudo e todas as coisas.

            O átomo foi ‘domesticado’ e o homem passou a entender como a matéria se forma e se altera. As idéias de Rutherford e Bohr abriram as janelas para a compreensão e explicação da matéria e suas transformações. Descobriu-se que neste processo incessante de criação e desordem há um fator básico, o combustível de tudo: a energia.

            Nada se cria, tudo se transforma. Esta a lei da matéria.

           O homem enxergou e experimentou forças e cargas energéticas, submeteu a eletricidade à sua vontade, tornou o planeta pequeno pelo uso da luz e das ondas eletromagnéticas. A mecânica newtoniana e as idéias de Einstein se somaram às de Galileu, de Kepler, de Poincaré e tantos outros. O conhecimento e a cultura se interligaram e o mundo sofreu e sofre transformações constantes que não cessam nem por um instante. O processo é crescente, constante e acelerado. A antimatéria já abre suas cortinas e significativos e elevados estudos avançam para sua compreensão plena.

       Einstein pela sua teoria da relatividade especial demonstrou que tempo e espaço são absolutos e dependem da relação de movimento entre os objetos. Comprovou também que matéria e energia são a mesma entidade física onde uma pode ser transformada em outra. Estes conceitos mudaram o pensamento científico sobre o tempo e o espaço.

         A relatividade geral busca explicar porque existe a gravidade estudada e equacionada por Newton. Einstein demonstrou que a gravidade não é uma força de atração como até então se pensava e sim uma força que obriga os corpos a se deslocarem em curvas no espaço e no tempo. Isto explica porque a Terra ‘gira’ em torno do Sol sem ‘cair’ sobre ele. Se o movimento fosse retilíneo a Terra escaparia e se perderia no Universo. O mesmo se dá com todos os corpos estelares. A mesma explicação se aplica ao movimento dos elétrons em torno do núcleo de um átomo.

4 – A CÉLULA E A VIDA 

            A célula é a unidade estrutural e morfofisiológica dos seres vivos. É estrutural porque dá estrutura a todos os seres animais e vegetais. É morfológica porque dá a forma e fisiológica porque imprime funcionamento orgânico aos seres vivos. È um conjunto de elementos químicos que, surpreendentemente, ostenta um princípio indefinido chamado vida. Não há definição para a expressão vida.

A vida é um fenômeno que só se manifesta através da matéria. Sem a matéria a vida é imperceptível.  Nem os poetas conseguem definir este fenômeno que impressiona a todos os campos da ciência e do conhecimento humano. O máximo que até agora conseguimos foi qualificar as ações dos seres vivos. O que é a vida, ainda não foi possível.

            O mundo fica assombrado quando constata as inúmeras funções da frágil e ao mesmo tempo poderosa membrana plasmática. Ela seleciona o que deve entrar ou sair das mais de cem trilhões de células que compõem um organismo humano adulto. Não pode falhar sem que acarrete a morte ou grave distúrbio. O citoplasma encerra um universo de micro-organelas que atuam extraordinariamente organizadas e dão sustentação ao conjunto.O núcleo, cerca de 1.800 vezes menor que a célula, se abre como um universo encantadoramente perfeito, onde a engenharia da vida se instala e se mostra triunfante.

            Lá está o poderoso cromossomo e seus genes, a sede da hereditariedade e base da vida animal e vegetal. Ali, no núcleo, se esconde a dupla hélice e as quatro substâncias químicas que sustentam a espécie humana: guanina, citosina, timina e adenosina.  Ali está o poderoso ‘ código genético’, uma maravilha de engenharia. Um inigualável tesouro de ação que só pode ser, em termos de criação, uma poderosa força que um dia ainda haveremos de conhecer.

            “A dupla hélice é realmente uma molécula extraordinária. O homem moderno tem talvez 50 mil anos, a civilização existe há apenas 10 mil anos, e os Estados Unidos só por um pouco mais de duzentos anos. Mas o DNA e o RNA existem há pelo menos vários bilhões de anos. Durante todo esse tempo, a dupla hélice esteve por aí, ativa; no entanto, somos as primeiras criaturas sobre a Terra a nos tornarmos conscientes da sua existência” (Kevin Davies, Decifrando o genoma,p.10).

            A descoberta de James Watson e Francis Crick é celebrada como a descoberta científica do século XX. O mundo entendeu o sistema como o início da decodificação de como Deus criou a vida. O genoma humano é também chamado de o Livro da Vida.

            E a vida está ali, na célula, mesclando-se a substâncias químicas, estranhamente envolvidas no processo, fazendo parte do ser vivo, mas não definida nem química nem fisicamente corpóreas. Uma célula, exposta às intempéries naturais, seca, deixando resíduos apenas de natureza química. Morre. Pesando-se a célula antes da morte e depois, não há diferença matemática. Há algo faltando em razão da morte. Alguma coisa não está presente. Resta concluir que a vida não é constituída de matéria, pelo menos na forma por nós conhecida.

            Outro fenômeno que assusta a ciência é a morte. Por que um ser vivo se desmancha, se desagrega, apodrece, com a perda da vida?  O que ocorre no corpo até então maravilhosamente organizado e agora se desagregando com a ausência desta estranha força?  Por que o corpo não se desagrega estando vivo?

            Todo projeto tem um autor ou autores. Um projeto da magnitude do código genético será que foi obra do acaso? Se decifrá-lo levou vinte séculos quanto deve ter sido difícil para ser elaborado. Talvez por esta e outras razões a maçonaria atribui a Deus o título de Arquiteto do Universo.

            Então, o que é a vida?

            A vida é um atributo que anima a matéria, mas está demonstrado que é totalmente independente desta.

            Será a vida um elemento apenas terrestre? Há quem afirme que a vida é um fenômeno extraterrestre, não imanente à Terra. A vida é, de forma clara e ostensiva, um fenômeno que anima a matéria, mas que não faz parte integrante dela e sim apenas usa a matéria para se fazer observar, para se fazer presente, para se fazer sentir.

            Há partes da ciência que buscam definir a origem da vida falando da célula. Errado. Estas teorias explicam, apenas, o surgimento de seres vivos. Da vida, até hoje nada há de concreto.Tudo o que se fala dos seres vivos referem-se apenas às características, qualidades destes.

            Por serem submetidos à ação do tempo e do espaço, os seres vivos apresentam ciclos, onde basicamente nascem, crescem, se reproduzem e morrem.

            Tudo sob a batuta do maestro tempo coadjuvado pelo seu competente e indispensável assistente, o espaço.

4.1 O GENOMA HUMANO 

O genoma humano, se fosse escrito na forma convencional com o uso das quatro letras conhecidas – A,C,G,T – precisaria de uma biblioteca com cerca de 4 mil exemplares de livros com uma média de 500 páginas. As cadeias do DNA em cada célula são firmemente enroladas, em forma de hélice e inseridas no núcleo da célula que mede cerca de 0,005 milímetro de diâmetro. Ligadas entre si, se colocadas em linha reta, o   DNA das cem trilhões de células de nosso corpo perfaria o equivalente ao percurso de ida e volta ao Sol por pelo menos vinte vezes.

O ser humano tem em seus gametas – células reprodutivas- 23 cromossomos, sendo 22 deles responsáveis pela formação do corpo e transmissão das características hereditárias, chamados autossomos e um responsável pela definição do sexo do bebê, chamado cromossomo sexual ou autossomo. O homem tem seu par de cromossomos representado pelas letras xy; a mulher por xx. Encontrando-se x com x teremos uma menina; x com y teremos um menino. Cada letra representa a hereditariedade de cada parceiro, sendo uma letra proveniente da mãe e outra do pai.

O papel dos genes no genoma humano é de armazenar as instruções para a produção de milhares de proteínas que constroem nossos corpos e mantêm a vida. Leia-se bem – mantêm a vida. Sabemos hoje que inúmeras doenças têm origem nos possíveis defeitos nas transferências e replicações do DNA. Um dos processos bem conhecidos é a mutação, geradora de variações nas espécies animais e vegetais e até a extinção de muitas delas. Estas variações são as chaves para a compreensão da saúde e da evolução humana.

O genoma humano não só pode nos indicar o futuro da espécie humana, mas também de esclarecer muitos pontos obscuros do passado da humanidade. A clonagem, as células-tronco e a genética moderna poderão livrar o homem de males adquiridos no longo processo mutacional-evolutivo, bem como também de corrigir certas rotas de colisão entre forças genéticas antagônicas que possam levar a resultados não desejados pela humanidade. O perigo, porém, está na manipulação errada do código genético, o que pode causar grandes desastres na evolução humana no planeta Terra e contra a existência da vida.

“A mim parece quase um milagre que há cinqüenta anos pudéssemos ser tão ignorantes a respeito do material genético, e que agora já seja possível imaginar que teremos a planta genética completa do homem” (Kevin Davies, Decifrando o genoma, p.25)

4.2 – AS TEORIAS SOBRE A ORIGEM DA VIDA         

             Nossos pensadores se aventuraram no passado e ainda buscam encontrar respostas a três inquietantes perguntas: o que é vida; como começou na Terra,  é um atributo exclusivo de nosso planeta?

            Nossos clássicos pensadores indicam haver várias respostas às perguntas enunciadas.  Destacamos as mais clássicas que são:

  1. a) Gênese bíblica – que afirma ter sido a vida humana criada por Deus, ao final de sua obra no Paraíso, quando soprou nas narinas do homem recentemente moldado com  matéria bruta e à  Sua semelhança;

  2. b) Geração espontânea: afirmando que um ser vivo pode surgir do ‘nada’, bastando que as condições naturais estejam livres para agir, como o ar, o calor, a água e outros elementos naturais;

  3. c) Biogênese: oposta à geração espontânea afirmando que um ser vivo só pode surgir de outro pré-existente;

  4. d) Panspermia Cósmica: que indica a possibilidade de alguns tipos de seres vivos, esporos de bactérias, por exemplo, existirem na Terra vindo através de meteoros que se chocaram com o planeta em tempos passados, e

  5. e) Quimiossíntese: afirmando ser a vida uma criação exclusiva da Terra, com a formação da primeira célula viva formada pelos elementos naturais hidrogênio, oxigênio, carbono e muita energia, fazendo surgir o coacervato, célula primitiva e simples, capaz de se replicar num processo assemelhado à mitose.

            As teorias sobre a origem da vida ficam à deriva e com muita dificuldade conseguem comprovar suas afirmações, sendo o assunto uma grande incógnita que persegue a ciência há séculos. Muitos estudiosos misturam pensamentos sobre a origem da vida e a origem da célula, do ser vivo. Daí as dificuldades para se chegar a um consenso.

  1. O TEMPO E O ESPAÇO – MEDIDAS 

            O espaço é objeto de estudo antigo e remonta à origem da razão. O tempo é a grande incógnita que assombra cientistas e gera teorias que nascem e se desvanecem sem que possam ser provadas. Algumas, porém, prosperam e se firmam como verdades matemáticas e físicas. Sabe-se hoje que o espaço é um fenômeno tridimensional, qual seja, implica em três forças: tempo, espaço e matéria.  A lógica se evidencia, visto que o tempo e o espaço se referem a alguma coisa e esta coisa é a matéria, sem a qual os dois primeiros não têm função nem aplicabilidade.

            O homem primitivo caminhava sobre o planeta regido por dois fenômenos que o intrigavam: o dia e a noite. Aumentavam as incessantes perguntas que ficavam sem respostas quando olhava para o céu e via uma grande quantidade de luzes que pareciam faiscar mais que seu cérebro inquieto e intensamente estimulado.  O que seriam estas luzes; o que era o Sol, a Lua. Por que ‘nasciam’ e se ‘punham’? O que era a chuva? Por que aconteciam relâmpagos e trovões; períodos de secas e de fortes tempestades; de ventos estranhos e assustadores?

            O Sol e a Lua ‘nascendo e se pondo’ deram ao homem o dia e a noite. A Lua mudando de aspectos e a luz do Sol incidindo sobre a Terra de forma diferente a cada período acabaram por fazê-lo entender que a Terra se move em torno do Sol a uma velocidade de trinta quilômetros por segundo. Nasceram daí o ano, os meses, as semanas, os dias, os minutos, os segundos. Hoje já usa bilionésimos de segundo para o cálculo de suas viagens pelo espaço sideral em suas maravilhosas máquinas voadoras.

            Percebeu depois que o Sol é uma estrela que se localiza numa enorme galáxia chamada Via Láctea que gira em torno de seu imaginário eixo a uma velocidade de 220 quilômetros por segundo e completa uma rotação em 120 milhões de anos. Logo em seguida descobriu que existem milhares de galáxias num Universo impressionantemente grande e fantástico, onde imaginava estarem ‘coladas’ suas estrelas.

            Centenas de vidas foram ceifadas pela ignorância humana sacrificando aqueles que nos abriram os olhos para o macrocosmo e ao mesmo tempo para o microcosmo.  O preço foi alto, altíssimo, mas é assim que o homem age, com medo das respostas que busca incessantemente e com medo também de perder o domínio que pensa ter sobre a ciência universal.

            As teorias sobre as origens da vida assombraram o mundo dominante antigo. O homem era um semi-deus e assim deveria permanecer. Pensavam os depositários do conhecimento humano que, abrindo-se os olhos científicos ao homem comum, os dominantes seriam destronados e perderiam o poder.

            O homem é impiedosamente inquisitivo. Descobriu, depois, que o Universo deve ter tido uma origem e nasceu a Teoria da Grande Explosão que assombra a própria ciência ao constatar que tamanhos segredos, mantidos por tanto tempo, agora são dominados pelo homem comum e por aqueles que fazem da ciência uma busca incessante de Deus, o grande Arquiteto Universal, assim visto e pensado em razão da perfeição da natureza em todos os sentidos e direções.

            A matéria-energia e o espaço-tempo são chaves poderosas para o conhecimento da obra universal. Neste processo todo o átomo de Rutherfort/Bohr, dos trabalhos de Newton que calculou viagens pelo universo sem ter uma pequena calculadora como a hoje existente, usando o cálculo diferencial e o integral para dizer o que pensava; de Kepler, explicando a mecânica universal; de Einstein inserindo suas teorias da Relatividade Especial e Geral e tantos outros o homem caminha na busca da explicação de sua origem e da origem e justificação da existência do próprio Universo.

            Todos estes processos levaram milhares de anos para se tornarem entendidos e utilizados. O tempo para o homem se tornou numa esteira que desliza suave e ao mesmo tempo aceleradamente na mecânica do espaço, transformando a matéria de forma constante e remodelando a própria matéria para torná-la ativa e constantemente renovada.

Fomos originados da força fantástica e concentrada na união dos gametas masculino e feminino, dos cromossomos, dos genes e em uma central de forças chamada útero tomamos forma. Sobre estas diminutas células as ações do tempo e do espaço passaram a agir de forma definitiva e modificadora. Saindo do útero, a fenomenal casa de forças, depois de um lapso de tempo, assumimos a posição de nascidos e inteligentes, dominantes e interativos e hoje já nos lançados do útero terrestre para o útero universal.

           A força matriz deste processo é o tempo-espaço. Esta a chave que abre todas as portas do conhecimento humano e de seu domínio sobre a própria matéria, subjugando-a aos desejos do homem bem como a seus caprichos como ser superior que é.

         Cronometrar o tempo, medi-lo com perfeição na esteira do espaço dá ao homem a sensação de domínio sobre a ação deste duo sobre a matéria. A força incomensurável do tempo e do espaço sobre a matéria é, ao que nos parece, imutável, não significando que o homem não possa atuar sobre elas e fazer delas elementos vencidos. Só o futuro nos dirá o que poderá ser feito.

          Não há medidas para o tempo e muito menos espaço para que o tempo exista. Estes conceitos são apenas mentais e de uso exclusivo do homem. Estas criações humanas servem, apenas, para montar o impressionante quebra-cabeças sobre a vida e sua incessante ação sobre a matéria e ao mesmo tempo a independência da vida sobre a própria matéria.

        Seria a matéria apenas um substrato para um fenômeno espacial chamado vida? A expressão espacial é proposital no sentido de entender que a vida é um fenômeno não próprio da Terra. É um fenômeno nitidamente extraterrestre.

        Que força é essa que faz com que substâncias químicas reunidas como o ácido ribonucleico (RNA), o ácido desoxirribonucleico (DNA),o Trifosfato de Adenosina(ATP) das proteínas e outras ajam da forma como o fazem, transmitindo informações genéticas, hereditárias e criando uma caixa de ressonância para que a vida possa se manifestar?

            Estas forças agem sozinhas e por vontade própria ou são manipuladas por uma força superior ou mesmo um ser superior?

            Einstein afirmou um dia que ‘ Deus não joga dados’.(Barnet,p.79) É preciso pensar nisto.

5.1 – A GÊNESE DAS MEDIDAS DO TEMPO 

5.1.1 – 0 ANO 

            A Terra gira em torno do Sol num movimento denominado translação, com duração de 365,256 dias, o que de forma arredondada equivale a 365 dias e 06 horas. A cada quatro anos a somatória de 4 x 6 e equivalente a 24 horas, cria o ano bissexto, onde o mês de fevereiro passa de 28 para 29 dias. (Caprio,p.91)

            Este conhecimento levou séculos para ser descoberto e entendido, gerando a morte de vários pensadores que propugnavam tal movimento, contrariando àqueles que diziam atestar ser a Terra o centro do sistema solar e não o Sol.

            É bom frisar que tal medida é classificada como uma convenção e produto do pensamento humano. A medida ano é uma mera expressão, criação humana para indicar tal movimento e sua duração, ou seja, o uso do duo tempo-espaço. 

5.1.2 – O MÊS 

            A vida humana passou, depois da percepção dos módulos do tempo representados pelo passado, presente e futuro, por profundas transformações. Era preciso medir quanto tempo se gastava para ir, para ficar, para voltar.Era preciso organizar este tempo gasto para aproveitar a luz do Sol ou mesmo a escuridão da noite. Em assim sendo foi necessário dividir o dia já conhecido em frações. Foram criados os meses, dividindo-se o ano em 12 frações, número esse um velho conhecido do homem esotérico, que diz respeito ao ensinamento ligado ao ocultismo e reservado a poucos e exotérico, que se relaciona ao ensinamento transmitido ao público sem restrição. São 12 os apóstolos, 12 as tribos de Judá, 12 as constelações e segue por aí a fora.

            Inicialmente o número de meses era diferente do usado atualmente. Cada mês tem exatamente 29 dias, 12 horas, 44 minutos e 02 segundos. Arredondou-se o cálculo para 30 dias. Por acertos no calendário os meses acabaram por ficar com 30, 31 e 29 dias.Cada mês tem um nome e um significado. Vejamos sinteticamente tais denominações: Janeiro homenagem ao deus Janus; fevereiro de Fébrua, tempo de purificação e do desagravo; março, homenagem ao deus Marte; abril, de aprillis, que lembra a espuma do mar;maio, consagrado às flores e à deusa Flora; junho, mês da juventude; julho, homenagem ao imperador Júlio César; agosto, homenagem ao imperador augusto; setembro, significava o décimo mês;outubro, homenagem às festas dionisíacas; novembro, homenagem à rainha da caça Diana e dezembro, mês consagrado às festas pagãs do natal.(Caprio,pp 87-91)

5.1.3 – A SEMANA 

            O mês tem, originariamente, quatro períodos de sete dias, totalizando vinte e oito dias, baseados nas fases da lua: nova, crescente, cheia e minguante.  Os Caldeus, Babilônios, Judeus, Egípcios, chamavam a estes sete dias de septimana, daí o termo semana.

            No mundo cristão a Páscoa era comemorada por uma semana inteira, isto é, durante sete dias. Em razão desta festa o imperador Constantino baixou decreto considerando feriado todos os sete dias, daí a expressão feriae ou feira. Desta regra nasceu a expressão feira, derivando-se segunda-feira, terça-feira, etc. O sábado e o domingo, por questões de natureza religiosa, fogem á regra.

            São os seguintes os significados dos nomes dos dias da semana: domingo, o dia do Senhor; segunda-feira, homenagem à Lua, companheira dos viajantes noturnos; terça-feira, Senhor dos destinos da nação; quarta-feira, dia de Mercúrio; quinta-feira, dia de Júpiter; sexta-feira, dia de Vênus, sábado, ou sabbath, dia destinado ao descanso e às orações. (Caprio,pp.83 – 86)

5.1.4 – A HORA

            Os estudiosos da astronomia perceberam desde cedo que a Terra girava em torno de um eixo imaginário e este movimento resultava no dia e na noite e que foi chamado de rotação. Novamente com o uso de seus números mágicos e cabalísticos, dividiu a Terra em 24 ‘gomos’, por meio de 24 linhas ou meridianos, representando cada espaço quinze graus. Multiplicando-se os quinze graus por 24 temos exatamente 360º graus, equivalente ao globo terrestre, presumivelmente redondo.

            A medida resultou na mudança da luz solar sobre o globo terrestre, percorrendo um espaço de quinze graus em uma hora.

            Nasceu daí a hora, mais um padrão de medida criado pela imaginação e pela matemática humanas. (Caprio,pp.67-68)

5.1.5 – O MINUTO 

            A fração hora se mostrou ainda insuficiente para o desenvolvimento das lides humanas. Era preciso fracionar a hora e poder com isto se servir melhor do padrão de medidas do tempo num determinado espaço.

            Os matemáticos resolveram a questão e criaram o minuto que é equivalente a l/60 do grau. Pela numerologia considerada sagrada por séculos, resulta da multiplicação de 5 por 12, números cabalísticos e mágicos para muitos povos da antiguidade. (Caprio,pp 6970)

5.1.6 – O SEGUNDO

            Secundus vem do latim e significa secundário, indireto, novo, etc. Equivale à divisão do minuto por 60. É igual a 1/31.556.925,9747 do ano trópico de 1900. Desta forma, convencional e matematicamente, o homem criou sua tabela de medida do tempo, fazendo nascer o ano, o mês, a semana, o dia, a hora, o minuto e o segundo. Hoje são utilizados números abaixo do segundo para cronometrar pesquisas que exigem menores frações de tempo. A somatória dos anos resultou nos séculos, nos milênios e nas eras.

            Não satisfeito com toda esta conquista, o homem engendrou também outro cálculo para justificar as diferenças climáticas sobre a superfície terrestre no transcorrer dos anos. Criou assim as estações do ano e isto como resultante da posição do eixo terrestre, em termos de inclinação e o recebimento da luz do Sol, durante o transcorrer da Terra em torno de nosso astro-rei.

            A aventura durou séculos e o relógio se tornou na concretização destes registros e o eterno marcador das existências e do ciclo da matéria e dos seres vivos. (Caprio,pp 70-72)

  1. E O QUE É FINALMENTE O TEMPO? 

            O grande objetivo da ciência é descrever e explicar o mundo em que vivemos e transformá-lo para que o homem tenha uma vida melhor e mais produtiva. O difícil na ciência não é descobrir um segredo e sim explica-lo, visto que a busca do conhecimento e da realidade torna o uso de palavras de difícil aplicação correspondendo exatamente ao que se pretende esclarecer ou descobrir. Embora o homem conheça a eletricidade, o magnetismo e a própria gravitação, já há algum tempo, explica-los é muito mais complexo do que a descoberta destes fenômenos.

            Tales de Mileto, 585 anos antes de Cristo já auscultava a eletricidade. Demócrito um pouco depois já imaginava a matéria formada de ‘bolinhas’, de átomos. Aristóteles acreditava que o homem pudesse chegar à compreensão da realidade através de raciocínios baseados em princípios evidentes por si mesmos. Ele buscava explicar por que as coisas acontecem. Galileu pretendia explicar como as coisas acontecem.  O método da experimentação controlada passou a dar lugar à investigação científica.

            “A física demonstra que o espaço não possui nenhuma realidade objetiva a não ser servir como ordem ou arranjo dos objetos que percebemos nele. De igual forma está definitivamente provado que o tempo não tem existência própria, fora da ordem dos eventos pelo qual o medimos” (Barnett,p.17)

            Nada no Universo é estático.O Universo é um lugar onde não há descanso. Tudo está em pleno movimento.A matéria é rotativa e dinâmica. Seus átomos e moléculas não interrompem nem por um segundo seus ciclos naturais, conforme previu Lavoisier ao afirmar que ‘ nada se cria, tudo se transforma’.

           O tempo é produto da fantástica capacidade criativa do homem. O espaço foi criado pela incrível capacidade do homem em calcular. Ambos agem como que em uma orquestra em pleno funcionamento. No palco da vida, parece haver um maestro a reger toda esta sinfonia. Ambos, tempo e espaço, estão apenas retidos em nossa imaginação como um resíduo de um coador de café. O mundo por nós percebido é um contínuo espaço-tempo e toda realidade existe tanto no espaço quanto no tempo, sendo ambas ‘forças’ indivisíveis, mas poderosamente fortes.

            Na sua teoria da Relatividade Especial Einstein destacou outra poderosa força universal: o movimento. Este é um estado relativo. Para ser percebido e ainda medido é necessário que exista um ponto de referência com o qual possa ele ser comparado. Ao lado do tempo e do espaço, o movimento completou o tripé da física moderna e possibilitou ao homem avançar nas suas buscas incessantes dos confins do Universo. (Meneses, pp.23,117,130,189)      

  1. ENFIM, O QUE É O TEMPO? 

            Na evolução do pensamento científico, um fato se tornou impressionantemente claro: “não existe mistério algum, no mundo físico, que não nos leve a outro mistério, situado mais adiante”. (Barnett,p.105)

            A resposta à pergunta inicial fica clara e nos indica que o tempo não existe a não ser na prodigiosa máquina viva chamada cérebro humano. O espaço, este sim é concreto, medido, observável, sentido. O tempo sozinho é mera ficção. É produto de nossa faculdade de percepção do mundo em que vivemos e do qual fazemos parte integrante e dependente. O tempo é comparável à vida em termos de definição e compreensão. Tempo e vida são figuras que exigem alta compreensão do meio onde a matéria está inserida e que, submetida a forças indefiníveis, criam o mundo que somos capazes de ver e de sentir. O filósofo Hegel sabiamente escreveu: “O puro Ser e o Nada são a mesma coisa”.  O homem vive envolvido pelas aparências enxergando uma falsa realidade.O homem não pode fugir da realidade porque ele próprio faz parte do mundo que procura explorar. O homem é, portanto, o maior de seus mistérios.

            Em assim sendo, o mundo é de tal modo criado que o que se vê é feito de coisas que não se vêem.

  Antonio Caprio

 

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Suporte de pesquisa:

BARNETT,Lincoln. O Universo e o Dr. Einstein. 2ª ed.,Edições Melhoramentos.São Paulo.1949.

CAPRIO, Antonio. O Homem, o espaço e o tempo. Ed. Independente.São José do Rio Preto. Albert Gráfica Ltda.  2007.

DAVIES, Kevin. Decifrando o genoma – a corrida para desvendar o DNA humano. Cia. das Letras.São Paulo.2.001

MENEZES,Luiz Carlos de. A Matéria – uma aventura do espírito. FNDE.Ed.Livraria da Física.São Paulo. 2005

 

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